Polícia Civil Comunitária aproxima o cidadão da polícia

Sexta-feira, 30/07/10 – 13:09
Aproximar a polícia da população, aprimorar o atendimento, criar um sistema de prevenção social da violência, estimular a participação efetiva da comunidade para colaborar com o trabalho policial, firmar a relação de credibilidade, além de diagnosticar problemas criminais da comunidade e dar uma resposta rápida. Essas são algumas metas alcançadas pelo projeto Polícia Civil Comunitária, implantado inicialmente em Santana da Ponte Pensa, a 629 quilômetros da Capital. A expectativa é que o projeto seja estendido para outras regiões de São Paulo.

Idealizado pelo delegado Higor Vinicius Nogueira Jorge, da Delegacia de Santana da Ponte Pensa, o projeto foi implantado em 12 de janeiro deste ano. Ele visa a aproximação entre a população e a polícia, aplicando a filosofia de polícia comunitária. A sociedade civil colabora com informações, sugestões e denúncias; a polícia pode diagnosticar mais rapidamente os problemas criminais que afetam a comunidade e planejar uma resposta pró-ativa.

Nogueira Jorge ressalta que, após o projeto ser colocado em prática, sente uma grande diferença de postura da população em relação aos assuntos voltados à segurança pública. “O relacionamento da polícia com a comunidade mudou totalmente. Antes, a população exercia um papel passivo e, após o projeto, esse conceito se modificou, e as pessoas passaram a colaborar com o trabalho policial, nos suprindo com informações e denúncias”.

O projeto é uma parceria entre as Polícias Civil e Militar, o Conselho de Segurança Comunitária (Conseg), Prefeitura, Centro de Assistência Social da Prefeitura Municipal, Conselho Tutelar, escolas, sociedade civil, além de entidades públicas, privadas e religiosas. Além do município de Santana da Ponte Pensa, o projeto está sendo implantado em Santa Fé do Sul, Santa Rita D’Oeste, e em Nova Canaã Paulista.
Reuniões
O projeto Polícia Civil Comunitária conta com diversas ações relacionadas à segurança pública, como reuniões com o intuito de dar voz à população, campanhas preventivas contra o consumo de álcool e drogas, e a orientação de jovens em situação de risco.

No dia de inauguração, foi realizada uma reunião com a comunidade, membros dos Consegs, autoridades políticas, servidores públicos, líderes comunitários, entre outros. Na reunião, 120 pessoas puderam avaliar e dar sugestões para que o projeto Polícia Civil Comunitária fosse aprimorado, além de analisar formas de prevenção e preservação contra os problemas criminas do município.

Também foram realizadas reuniões com trabalhadores e moradores rurais para discutir os problemas criminais que atingem essas áreas. O objetivo é criar uma rede de apoio e prevenção social contra os crimes. Assim que perceberem estranhos nas redondezas das propriedades, eles são orientados a contatar os vizinhos e a polícia. Durante o encontro, foram distribuídos textos com informações de como evitar furtos, principalmente de gados e de implementos agrícolas.

Extremamente importante para coletar dados e aperfeiçoar as formas de atuação, Nogueira Jorge explica que essas reuniões devem ser realizadas de seis em seis meses.

O espaço onde era localizada a antiga carceragem da Delegacia de Santana de Ponte Pensa, agora é utilizado para a realização de cursos e projetos sociais com a participação da comunidade. Hoje, uma sala é ocupada por um programa que dá aulas de pintura gratuita. A expectativa é que sejam também implantados curso de corte e costura.

Caixas coletoras – voz ativa
Para que a população colabore ainda mais com denúncias anônimas, sugestões e críticas ao trabalho policial foram instaladas caixas coletoras em diversos prédios públicos. Nos mesmos locais são fixados cartazes explicativos para estimular a participação da população. Toda semana, os policiais civis recolhem as informações e realizam uma reunião para que as consideradas de natureza criminal sejam investigadas.

Nogueira Jorge ressalta que a colaboração da população com denúncias tem resultado em esclarecimentos de crimes e em prisões. “Em março deste ano, nós conseguimos desarticular uma quadrilha, composta por cinco pessoas, que se passava por funcionários do Hospital do Câncer, pedindo dinheiro às pessoas para contribuir com a instituição de saúde”. A prisão ocorreu durante um trabalho de investigação, iniciado por meio de denúncias anônimas.

Trabalho preventivo
São realizadas diversas ações preventivas, como o combate ao consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos, e contra as drogas. Os policiais, juntamente com integrantes do Conselho Municipal Antidrogas, realizam palestras sobre drogas em toda a região para pais e filhos, em diversos estabelecimentos, principalmente nas escolas.

São impressos e distribuídos textos que apresentam as consequências proporcionadas pelas drogas lícitas e ilícitas. Para incentivar os estudantes, são realizados concursos para premiar as melhores redações e cartazes sobre drogas.

Nos estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas são fixados cartazes informando que a venda é proibida para menores de 18 anos. Os proprietários de bares se reúnem na Delegacia do município para receber os cartazes e orientações sobre a proibição das bebidas alcoólicas. Também são feitas palestras sobre educação no trânsito.

Além disso, principalmente no período noturno, policiais civis e militares, membros do Conselho Tutelar e do Centro de Assistência Social da Prefeitura realizam um trabalho pró-ativo de rondas pelas ruas, para localizar jovens que estejam em situação de risco — consumindo drogas, álcool e praticando ou correndo risco de praticar algum ato infracional.

Nogueira Jorge afirma que o consumo de bebidas alcoólicas e drogas pelos adolescentes têm diminuído significativamente, após as ações de prevenção de jovens em risco, e explica como funciona a ação. “Há uma visível melhora nesses números. Os familiares dos jovens encontrados em situação de risco comparecem na Delegacia, onde são orientados pelos policiais civis e membros do Conselho Tutelar como agir”.

Para oferecer um embasamento teórico aos policiais civis sobre a filosofia de polícia comunitária, são feitas análises e discussões em conjunto de textos que tratam sobre a importância da aproximação da polícia com a população. Os policiais também foram matriculados em um curso de capacitação para a mediação de conflitos. O objetivo é procurar alternativas para a solução de conflitos pelo policial civil mediador de conflitos, evitando muitas vezes, a prática do crime.

Saiba mais sobre o projeto Polícia Civil Comunitária.

Juliana Chijo

Extraído do site: http://www.ssp.sp.gov.br/Noticia/lenoticia.aspx?id=20986#3

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