Delegado fala sobre casos recentes de crimes cibernéticos e a utilização da internet com segurança

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DELEGADO FALA SOBRE O CASO CAROLINA DICKMANN E COMO USAR A INTERNET COM SEGURANÇA

A partir do dia 13 de maio a imprensa passou a comentar constantemente sobre as 36 fotos íntimas da atriz global Carolina Dieckmann que foram capturadas do seu computador e publicadas indevidamente em diversos sites.
Para falar um pouco sobre o caso e também explicar algumas dicas para que usem os computadores com mais segurança a equipe de reportagem do NOTÍCIA POPULAR falou com o delegado Higor Vinicius Nogueira Jorge que tem trabalho com a capacitação de policiais, em diversos Estados do país, para que possam investigar esses tipos de crimes.

Dr. Higor, como o senhor vê o caso da atriz Carolina Dickmann? O que ela fez para suas fotos terem sido publicadas?
Inicialmente surgiram diversas teorias para explicar como essas fotos foram parar na internet, inclusive diziam que os criminosos que divulgaram as fotos da atriz poderiam ter sido os técnicos que consertaram o computador dela, pois eles poderiam ter acessado e copiado as suas fotos. Depois, no decorrer da investigação, passaram a dizer que seriam criminosos de internet, tecnicamente chamados de cibercriminosos ou crackers, que teriam utilizado uma técnica conhecida como phishing (ou phishing scam) para obter as senhas da vítima. Pelo que consta essa versão seria a mais correta sobre os fatos.

Então o que significa phishing?
O termo phishing é originado da palavra inglesa fishing que significa pescar, ou seja, é a conduta daquele que pesca informações sobre o usuário de computador.
No início a palavra phishing (ou phishing scam) era utilizada para definir a fraude que consistia no envio de e-mail não solicitado pela vítima, que era estimulada a acessar páginas (sites) fraudulentas. Estas eram criadas com a intenção de permitir o acesso as informações eletrônicas da pessoa que lhe acessava, como por exemplo, número da conta bancária, cartão de crédito, senhas, e-mails e outras informações pessoas.
Uma característica destas mensagens é que simulavam ser originadas de uma instituição conhecida, como por exemplo, banco, órgão governamental, empresa, etc.
Nestes casos o hacker criava uma falsa história para atrair os usuários de computadores e com isso acessar as informações que tenha interesse, principalmente visando obter lucros ou causar prejuízos para as vítimas.
Atualmente esta palavra é utilizada para definir também a conduta das pessoas que encaminham mensagens com a finalidade de induzir a vítima a preencher formulários com seus dados privados ou que objetivam induzir o usuário a instalar códigos maliciosos, capazes de transmitir para o hacker as informações que tenha interesse.

Quais são os crimes cibernéticos mais comuns e também os mais graves?
São muito comuns as fraudes pela internet, geralmente utilizando e-mails ou sites falsos, que podem incidir nos crimes de estelionato ou furto mediante fraude, dependendo do caso, também tem sido comum a prática de crimes contra a honra, crimes de ameaça, racismo, violação ao direito autoral, apologia ao crime ou criminoso, etc. Um crime muito grave é a pornografia infantil publicada na internet.

A Polícia e a Justiça tem condições de tirar da internet as fotos da atriz?
É muito complicado isso. Na verdade para cada site que disponibilizar as fotos, deverá ser feito um pedido administrativo, da própria vítima ou de seu advogado, para o site deixar de publicar a foto e, se o site manter a foto, somente uma determinação Judicial poderá resolver a questão. Porém se o site estiver hospedado em um servidor de outro país será mais burocrático e demorado ainda. Na prática já fazem o pedido administrativo para o site e também ingressam com uma ação perante o Poder Judiciário com esse intento.

O senhor acha que isso demonstra que a internet é um lugar muito perigoso?
Depende de como a pessoa utiliza a web, se não se preocupar com a segurança do conteúdo que pretende acessar, com certeza corre maiores riscos. Por isso que temos falado sempre que na internet é muito difícil exercer o direito do esquecimento, ou seja, o direito de esquecerem o que publicamos, pois as informações podem ser armazenadas nos computadores das pessoas que acessaram o conteúdo ou em servidores espalhados em diversos lugares e, em casos como esse, que se tornou viral, existe tamanha disseminação das imagens que fica impossível retirar dos sites, blogs e redes sociais.
É importante que diante desse tipo de caso os internautas reflitam sobre o conteúdo que estão publicando na internet, que tipo de foto, vídeo ou comentário que vão publicar, pois essas informações correm o risco de ficarem pela eternidade na rede mundial de computadores, é o que chamo de “dever de eternidade” de tudo que é publicado. Além disso, deve tomar muito cuidado com o local aonde armazena suas informações, se é no computador do trabalho, da casa, no notebook, no pen drive, etc. Se o local não for protegido outras pessoas podem acessar esse conteúdo e divulgar na internet.
Quanto ao que se publica na internet recomendamos que a pessoa pense nos próximos 10, 20 ou 30 anos, pois em um determinado momento da vida pode se arrepender e não precisa ser um artista ou personalidade não, temos visto pessoas comuns passando por problemas parecidos constantemente.
Por outro lado a Polícia Civil e a Polícia Federal têm realizado investigações para apurar esse tipo de crime e na maioria dos casos em que as ocorrências são registradas, os autores são identificados.

Quais são as dicas usuário de computador navegar com segurança?
Ele deve ter consciência de que muitas vezes o maior risco que envolve o internauta é ele mesmo, é o tipo de conteúdo que acessa, é o local que ele utiliza para acessar a internet, é o tipo de computador que usa, etc.
Também um grande problema, que é comentado sempre pelo delegado Emerson Wendt, é a chamada “síndrome do clique”, que faz com que o usuário de computador clique em todo link que receba por e-mail ou que seja sugerido por um site e que muitas vezes pode levar a um conteúdo malicioso.
Em razão disso consideramos necessário que tome cuidado com os links que recebe por e-mail, pois ao serem clicados podem levar o usuário a instalar algum arquivo malicioso em seu computador. O ideal é sempre digitar o endereço do site que pretende visitar.
O usuário de computador deve tomar muito cuidado com os arquivos que copia, com os programas que instala e com os sites que visita. É preciso evitar sites de procedência duvidosa, como aqueles que veiculam pornografia, programas piratas ou que fornecem músicas e vídeos para download.
Outra medida essencial é instalar no computador um bom antivírus, com a finalidade de detectar e remover arquivos maliciosos, e que possua mecanismos de firewall (programa que evita invasão em um computador, cria um filtro entre as comunicações de uma rede com outra) e antispyware (programa para detectar e remover trojans que monitorem as atividades do usuário de computador).
É muito importante que todos os programas do computador sejam atualizados automaticamente, incluindo o sistema operacional e o navegador, tendo em vista que as atualizações são feitas para aperfeiçoar e corrigir vulnerabilidades, tornando-se os programas mais seguros.
A escolha das senhas também é uma questão que deve ser avaliada com muito cuidado. O usuário de computador deve evitar senhas fáceis, senhas que podem ser descobertas por alguém que tenha informações sobre ele, pois se utiliza muito de um conjunto de técnicas conhecido como engenharia social, para fazer com que a vítima informe alguns dados que ajudem a descobrir a sua senha. Recomendamos uma senha que tenha no mínimo oito caracteres, incluindo letras maiúsculas, minúsculas e números e também é necessário alterar a senha constantemente.
O usuário deve tomar todas essas medidas de segurança, mas se por exemplo o seu computador precisar de algum reparo e for levado a uma empresa que não seja confiável, com certeza o dispositivo e/ou seu conteúdo correrá riscos. Por isso o ideal é contratar empresas em que seus funcionários possam executar o reparo na residência do cliente. Além disso se for possível o cliente deve acompanhar toda a execução do serviço e perguntar sobre cada atividade realizada pela empresa.

Você escreveu um livro sobre crimes cibernéticos em parceria com outro delegado? Qual a finalidade do livro?
Eu e o delegado Emerson Wendt, do Rio Grande do Sul, percebemos uma lacuna no mercado editorial brasileiro em razão de não existir uma obra que tratasse das ameaças cibernéticas e, ao mesmo tempo, apresentasse de forma didática cada passo da investigação destes crimes. Em razão disso no ano de 2011 escrevemos o livro “Crimes Cibernéticos: ameaças e procedimentos de investigação” que será lançado em breve pela editora Brasport.

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